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Parte 2 : A história
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É no arquipélado
das ilhas Aran que se produz um dos mais belos e característicos
tipos de tricô conhecidos, o "Fisherman Gansey",
ou seja, o "suéter dos pescadores". Ficou assim
conhecido não só por ser usado por estes, mas por
ser TRICOTADO pelos próprios pescadores para protegerem-se
do frio quando enfrentam o mar na sua pesca. Lembrando que o clima,
em grande parte do ano, é extremamente severo na região;
ventos, mar agitado e frio, muito frio.
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Esta é a gravura
que representa a tradição do tricô; os
pescadores tricotam, mulheres costuram, jovens cuidam das
ovelhas.
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Não se sabe, ao certo,
quando se iniciou essa que se tornou a tradição local,
mas há cerca de cinco séculos atrás, têm-se
os primeiros registros dessa "Arte dos Pescadores das Ilhas
Aran" que subsiste até nossos dias.
Alguns historiadores recusam-se a admitir que o tricô tenha
sido adotado antes do ano de 1900 (início do século
XX) mas há registros de que nos anos de 1700 já se
tricotava na região. Há uma lógica histórica,
visto que os pescadores precisavam proteger-se do frio; a necessidade
certamente foi a grande alavanca dessa arte.
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Os suéteres são
tecidos em lã pura, em cor cru ou azul marinho.
São tricotados com diversos tipos de trançados,
losangos, ziguezagues, folhas, flores, espigas, cordas com
nós, "diamantes" (retângulos em relevo,
preenchidos ou não por outros motivos) e arabescos
diversos.
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Porém,
esses desenhos não eram aleatórios, mas tinham um
significado que foi a principal característica do tricô
irlandês, naqueles tempos; identificavam o pescador e sua
família (também chamada de "Clã"),
pois nenhum suéter possuía desenhos repetidos.
Segundo alguns historiadores,
por ser uma população formada por pescadores pobres
sem instrução formal, os distintos desenhos identificavam
os mortos encontrados no mar, sabendo-se a qual família pertencia.
Os suéteres, aliás, possuíam uma identificação
particular para cada membro da família, podendo-se até
saber, com exatidão, de quem era o corpo.
Os desenhos eram, na verdade, símbolos do dia a dia dos pescadores:
as cordas (tranças) e os nós, representavam a cordoalha
das embarcações. Flores, folhas, espigas, enfim, do
que os fizessem lembrar (quem sabe?), das ilhas e da família,
e os animasse na lida diária, uma forma de sentirem-se "em
casa".
Os ziguezagues normalmente simbolizavam os caminhos, as trilhas
que levavam até suas casas ou os caminhos existentes nas
ilhas. Os suéteres, aliás, passavam de geração
a geração, sendo consertados para que futuros membros
do clã os pudessem usar.
Veja
detalhes sobre o significado dos desenhos na PARTE
5
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Com
o passar dos anos, algumas famílias foram progredindo
e os desenhos dos suéteres passaram a representar "status"
entre os membros da comunidade, uma espécie de "brasão"
da família, estendendo-se também como uniforme
para práticas esportivas.
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